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Aceleração Eficaz

Futuro do trabalho: o que prevê o Fórum Econômico Mundial até 2030

O relatório que ouviu mais de mil empregadores em 55 economias mostra quais funções crescem, quais encolhem, quanto das habilidades muda e como o Brasil se compara à média.

Redação Aceleração Eficaz · · 9 min de leitura

O Fórum Econômico Mundial projeta, no relatório Future of Jobs 2025, que até 2030 surgirão 170 milhões de vagas e 92 milhões deixarão de existir, um saldo de 78 milhões. As funções que mais crescem são de dados e IA, as que mais encolhem são de escritório e de balcão, e 39% das habilidades atuais vão mudar.

O levantamento é a quinta edição da série e saiu em 7 de janeiro de 2025; a anterior é de 2023. O Fórum ouviu mais de mil grandes empregadores, com mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias, e cruzou as respostas com dados da OIT sobre 1,2 bilhão de empregos formais. O próprio relatório pede que os números não sejam tratados como retrato completo: são expectativas de empresas grandes, e o trabalho informal fica fora da base.

Quantas vagas surgem e quantas somem até 2030

Pela projeção, as 170 milhões de vagas novas equivalem a 14% do emprego formal de hoje. Os 92 milhões de postos eliminados somam 8%. O saldo de 78 milhões é um crescimento líquido de 7%. Juntas, criação e perda mexem com 22% dos empregos existentes, a taxa que o Fórum chama de rotatividade estrutural.

A maior parte do crescimento em números absolutos não vem da tecnologia. A função que mais ganha vagas é a de trabalhador agrícola, com 35 milhões a mais, numa ocupação que já emprega mais de 200 milhões de pessoas. Depois aparecem motoristas de entrega, desenvolvedores de software, trabalhadores da construção e vendedores de loja. Enfermagem, assistência social, cuidadores e professores universitários e de ensino médio também estão entre as 15 funções que mais crescem, puxadas pelo envelhecimento da população em alguns países e pelo aumento da população em idade de trabalhar em outros.

As tendências que as empresas esperam sentir

O questionário pediu a cada empresa que apontasse as forças que vão transformar o seu negócio até 2030. A ampliação do acesso digital lidera, citada por 60%. O custo de vida em alta vem em segundo, lembrado por metade dos empregadores. A redução de emissões de carbono fica em terceiro, com 47%, e a adaptação às mudanças climáticas aparece com 41%. A desaceleração da economia preocupa 42%, e o relatório calcula que ela, sozinha, elimine 1,6 milhão de empregos no mundo.

Entre as tecnologias, a IA e o processamento de informação são apontados por 86% das empresas, à frente de robôs e sistemas autônomos (58%) e de geração e armazenamento de energia (41%).

Onde a IA entra na conta

Perguntados diretamente sobre IA, 77% dos empregadores dizem que vão requalificar a equipe para trabalhar ao lado da tecnologia, 69% pretendem contratar gente capaz de desenhar ferramentas de IA sob medida e 62% querem contratar quem saiba trabalhar com elas. Metade (49%) pretende reorientar o negócio para oportunidades abertas pela IA. Outros 47% planejam mover pessoas de funções que vão encolher para outras áreas da empresa, e 41% preveem reduzir o quadro onde a IA consegue reproduzir o trabalho humano.

O mesmo questionário mediu a divisão do trabalho entre pessoas e máquinas. Hoje, segundo os empregadores, 47% das tarefas são feitas principalmente por pessoas, 22% principalmente por tecnologia e 30% por uma combinação das duas. Para 2030, a expectativa é de três fatias quase iguais: 33% para pessoas, 34% para a máquina e 33% para a combinação. A parte da máquina sobe 12 pontos. A das pessoas cai 14. Os estudos do FMI, da OIT e de Stanford sobre o mesmo movimento estão comparados no texto a IA vai substituir empregos?

As profissões que mais crescem e as que mais encolhem

O relatório traz duas listas, e elas contam histórias diferentes. Uma ordena as funções pelo crescimento percentual, o que favorece ocupações pequenas e novas. A outra ordena pelo número absoluto de vagas, o que favorece ocupações grandes e antigas. Abaixo estão as dez primeiras da lista percentual, com os nomes em tradução livre.

Dez funções com maior crescimento percentual

  1. Especialistas em big data
  2. Engenheiros de fintech
  3. Especialistas em IA e aprendizado de máquina
  4. Desenvolvedores de software e aplicativos
  5. Especialistas em gestão de segurança
  6. Especialistas em armazéns de dados
  7. Especialistas em veículos autônomos e elétricos
  8. Designers de interface e experiência do usuário
  9. Motoristas de caminhão leve e de entrega
  10. Especialistas em internet das coisas

Quase todas são de tecnologia; a exceção é o motorista de entrega. Logo atrás vêm analistas de dados, engenheiros ambientais e engenheiros de energia renovável.

Dez funções com maior queda percentual

  1. Atendentes de serviço postal
  2. Caixas de banco e afins
  3. Digitadores
  4. Caixas e bilheteiros
  5. Assistentes administrativos e secretárias executivas
  6. Trabalhadores de gráfica
  7. Auxiliares de contabilidade, escrituração e folha de pagamento
  8. Almoxarifes e controladores de estoque
  9. Comissários e cobradores de transporte
  10. Vendedores de porta em porta, jornaleiros e ambulantes

Aqui o padrão se inverte. São rotinas de registrar, conferir, digitar e cobrar, quase sempre feitas atrás de um balcão ou de uma tela. Designers gráficos, analistas de sinistros de seguradoras e funcionários de apoio jurídico vêm logo em seguida.

Em números absolutos, a maior perda está entre caixas e bilheteiros, seguidos de assistentes administrativos e secretárias executivas. Faxineiros e zeladores, almoxarifes, trabalhadores de gráfica, auxiliares de contabilidade, contadores e auditores, seguranças, caixas de banco e digitadores completam boa parte das 15 maiores quedas. A presença de faxineiros e seguranças na lista é um sinal de que a perda não se explica só pela IA. O cruzamento dessas listas com três profissões de escritório está no texto sobre advogados, contadores e designers.

Quanto das habilidades atuais vai mudar

Os empregadores esperam que 39% das habilidades exigidas hoje mudem ou fiquem obsoletas até 2030. O número caiu: era 44% na edição de 2023 e 57% em 2020, logo depois da pandemia. O relatório sugere que a queda pode ter relação com o avanço dos treinamentos, já que a parcela de trabalhadores que concluiu algum programa de qualificação subiu de 41% para 50%.

O pensamento analítico continua sendo a habilidade mais procurada, considerada indispensável por sete em cada dez empresas. Depois vêm resiliência, flexibilidade e agilidade, e liderança e influência social. As que mais ganham importância até 2030 são IA e big data, redes e cibersegurança, e letramento tecnológico. Destreza manual, resistência física e precisão perdem espaço.

Para cada grupo de 100 trabalhadores, o Fórum calcula que 59 vão precisar de treinamento até 2030. Desses, 29 devem ser requalificados na função atual e 19 transferidos para outras áreas da empresa. Os outros 11 provavelmente não vão receber o treinamento de que precisam.

Para 63% dos empregadores, a falta de habilidades no mercado é o maior obstáculo à transformação dos negócios. Na resposta a isso, 85% pretendem treinar a equipe, 73% vão acelerar a automação de processos, 70% planejam contratar gente com habilidades novas, 51% vão mover pessoas de funções em queda para funções em alta e 41% preveem cortar pessoal cujas habilidades perderem relevância. Pouco mais da metade (52%) espera destinar aos salários uma fatia maior da receita até 2030, e só 8% esperam fatia menor.

O que o relatório diz sobre o Brasil

O perfil do Brasil mostra um mercado mais agitado que a média e empresas mais inclinadas a apostar em IA. A tabela compara alguns indicadores.

IndicadorBrasilMédia global
Rotatividade estrutural do emprego até 203024%22%
Habilidades que devem mudar até 203037%39%
IA vista como força de transformação92%86%
Robôs e sistemas autônomos vistos como força de transformação64%58%
Redução de emissões vista como força de transformação53%47%
Desaceleração da economia vista como força de transformação48%42%
Tarefas feitas principalmente por tecnologia hoje19%22%
Tarefas feitas principalmente por tecnologia em 203032%34%
Plano de requalificar a equipe para trabalhar com IA91%77%
Trabalhadores que não vão precisar de treinamento, a cada 1003341

Nas funções, o país segue o desenho global com sinais mais fortes nas pontas. Especialistas em IA e aprendizado de máquina devem crescer 64% no saldo (82% no mundo) e analistas e cientistas de dados, 46% (41% no mundo). Assistentes administrativos e secretárias executivas lideram a queda, com saldo negativo de 22%, pouco pior que os 20% da média mundial. O texto do relatório soma a essa lista especialistas em transformação digital e em logística.

Nas habilidades, os empregadores brasileiros põem resiliência, flexibilidade e agilidade à frente do pensamento analítico: 80% citam a primeira como central, contra 70% da segunda. Empatia e escuta ativa são lembradas por 60%. Quase nove em cada dez empresas planejam requalificar a equipe, e 96% já mantêm algum programa de IA, contra 88% no mundo.

Duas respostas destoam da média. Entre as políticas públicas com mais potencial para aumentar a oferta de talentos, 57% dos empregadores no Brasil escolhem mais flexibilidade para contratar e demitir, contra 44% no mundo. E só 34% esperam que os salários ganhem peso sobre a receita até 2030, contra 52% na média global; a maioria (57%) projeta uma fatia estável.

A leitura da Aceleração Eficaz é que o perfil brasileiro descreve empresas grandes que já têm programas de IA, mas ainda deixam a maior parte das tarefas com pessoas sozinhas ou com pessoas e máquina juntas. Para uma empresa pequena, a pergunta útil é mais estreita: quais tarefas da equipe cabem na fatia que deve passar à máquina, e quantas horas elas consomem hoje. É o que o Raio-X de 90 dias da Aceleração Eficaz mede: gente, plataformas e fornecedores.

Os quatro cenários que o Fórum publicou em 2026

Em janeiro de 2026, o Fórum lançou um estudo complementar, Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030. Em vez de uma projeção única, ele desenha quatro futuros plausíveis a partir de duas variáveis: a velocidade de avanço da IA e o preparo da força de trabalho. Segundo o resumo publicado pelo Fórum, mais da metade dos executivos ouvidos espera que a IA elimine empregos existentes, e 24% esperam que ela crie vagas novas. Quase 45% preveem margens de lucro maiores. Bem menos gente espera salários maiores.

  • Progresso turbinado (Supercharged Progress, em tradução livre, como os demais): a IA avança de forma exponencial e encontra trabalhadores preparados. Muitos empregos somem e ocupações novas crescem rápido, parte delas com pessoas coordenando agentes de IA, enquanto proteção social e governança ficam para trás.
  • Era do deslocamento (The Age of Displacement): a IA avança mais rápido do que as pessoas conseguem se adaptar. As empresas automatizam para compensar a falta de talento, o desemprego dispara e a confiança do consumidor cai.
  • Economia copiloto (Co-Pilot Economy): a IA progride aos poucos e as habilidades para usá-la se espalham. O estouro de uma bolha da IA leva as empresas a priorizar integração prática e apoio ao trabalho humano, em vez de automação em massa.
  • Progresso travado (Stalled Progress): avanço gradual da IA com trabalhadores sem as habilidades necessárias. Pressão de custos mantém processos antigos, e os ganhos ficam concentrados em poucas empresas e regiões.

Os cenários não são previsões. A distância entre o primeiro e o segundo está toda no preparo das pessoas, já que a velocidade da IA é a mesma nos dois. O que são os agentes que aparecem no primeiro cenário, e o que eles já fazem dentro das empresas, está no texto sobre agentes de IA.

Em 1º de novembro de 2026, a edição de 2025 segue como a mais recente do Future of Jobs. No Brasil, o calendário que mexe com o trabalho neste ano é outro. A Emenda Constitucional 141, promulgada em outubro, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais em duas etapas, e a relação entre IA e menos horas de trabalho está no texto sobre semana de 4 dias e IA. A primeira etapa, de 44 para 42 horas, vale a partir de 16 de dezembro de 2026.

Perguntas frequentes

Quantos empregos o Fórum Econômico Mundial prevê para 2030?

O Future of Jobs 2025 projeta que 170 milhões de vagas serão criadas e 92 milhões eliminadas entre 2025 e 2030, um saldo positivo de 78 milhões, ou 7% do emprego formal atual. A estimativa combina as expectativas de mais de mil grandes empregadores de 55 economias com dados da OIT e cobre cerca de 1,2 bilhão de empregos formais. O trabalho informal fica fora da conta.

Quais profissões vão crescer até 2030, segundo o Fórum?

Em crescimento percentual, lideram especialistas em big data, engenheiros de fintech e especialistas em IA e aprendizado de máquina, seguidos de desenvolvedores de software e especialistas em segurança. Em número absoluto de vagas, a lista muda: trabalhadores agrícolas, motoristas de entrega, desenvolvedores, trabalhadores da construção e vendedores de loja aparecem na frente, ao lado de enfermagem, cuidadores e professores.

Que funções mais perdem vagas com a automação?

As de escritório e de balcão. Em queda percentual, lideram atendentes de serviço postal, caixas de banco, digitadores, caixas e bilheteiros e assistentes administrativos. Em número absoluto, caixas e bilheteiros e assistentes administrativos encabeçam a lista, que inclui auxiliares de contabilidade, almoxarifes, seguranças e designers gráficos. Nem toda queda vem da IA: desaceleração econômica e custo de vida também pesam nas respostas.

O Future of Jobs 2025 tem dados do Brasil?

Tem. O perfil do país mostra rotatividade estrutural de 24% até 2030, acima dos 22% globais, e 92% das empresas apontando a IA como força de transformação, contra 86% no mundo. Especialistas em IA e analistas de dados lideram o crescimento esperado, e assistentes administrativos, a queda. O Brasil também se destaca pelo pedido de mais flexibilidade para contratar e demitir, feito por 57% dos empregadores.

Fontes

  1. The Future of Jobs Report 2025 · Fórum Econômico Mundial, 7 de janeiro de 2025
  2. Future of Jobs Report 2025 (relatório completo em PDF, com o perfil do Brasil) · Fórum Econômico Mundial
  3. Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030 · Fórum Econômico Mundial, janeiro de 2026
  4. Four ways AI and talent trends could reshape jobs by 2030 · Fórum Econômico Mundial
  5. Emenda Constitucional nº 141 · Presidência da República, Planalto

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